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Uma questão de tempo (Carta de uma moça depressiva) – Por Denny Guinevere
Postado por Denny Guinevere em 11 de setembro de 2011
Um Alguém… Alguém que completasse o vazio de toda uma existência, fazendo coexistir alguma coerência na minha vida que se esvaia por meus dedos, alguém que me sondasse as feridas.
Feridas estas que começavam a inflamar dentro de meu peito como uma bomba relógio soando em minha alma. O amor que inundava meu coração subia à garganta congelando em meus lábios.
Contornei os lábios de meu amado enquanto uma lágrima surgia à meus olhos escorrendo por minha face ainda juvenl.
As pessoas me faziam recuar e ele ainda estava lá, me olhando com a feição entristecida.
Se meu comportamento era tão rude na maioria das vezes, porque razão desejava que ele ficasse ameu lado? Ao lado de uma pessoa tão vazia e complicada?
Era apenas uma questão de dias, talvez semana…
Me doia olhar a face enrugada de preocupação dele, seu olhar apaixonado enquanto o mundo me sufocava. Me engolia de forma cruel e selvagem.
Olhava o relógio o tempo se esgotando, o momento em que os lábios dele proferissem as palavras que seriam letais a mim: “Não posso mais viver desta maneira, com alguém que não se importa”. Eu quis gritar, dizer-lhe que o amava e que este amor me enchia o peito largo, sedento pelos beijos de sua boca.
Via nitidamente uma gaiola que me mantinha prisioneira. Prisionera de mim mesma. Enlouqueci.
Eu queria dizer, cada palavra que saia de meu coração parando na garganta. mas o medo me segurava; me mantinha refém num mundo solitário.
Não percebi o quanto estava perdendo meu amor. E o ciúme inundava meu ser com uma violência de um mar revolto.
Ver um filete de sangue escorrer por meu braço suavizando as dores me pareceu ser uma ideia tentadora. Dramática talvez minhas palavras pareciam ser, mas para mim não eram. Não sentiam a dor que me consumia; a dor de perder a quem amava. Como fingir que nada estava acontecendo ao encarar novamente sua face? Eu não queria perder, mas sentia a barreira crescer entre nós.
Talvez fosse eu complicada demais, paranóica em meu mundo ilusório e fantasioso.
Talvez ele não me quisesse desta maneira. Não desta forma.
Abracei meus joelhos com força numa praça deserta, as lágriams inundando meus olhos. O peito me sufocava até não sentir o ar em meus pulmões.
Eu simplesmente fincava a adaga do destino em minha pele alva rasgando-me por dentro.
Não saberia explicar a dor de perder um amor. Apesar de estar ao meu lado eu começava a acreditar que o perderia.
Não por ele, mas pela maneira que eu agia. Por ser tão evasiva.
Chorei horas amargas, lamentando o fim. Mas o beijo quente de meu amado me acalmava enquanto durava.
Era tudo o que precisava.
Uma questão de tempo.
Palavras – Por Denny Guinevere
Postado por Denny Guinevere em 7 de setembro de 2011
Minhas palavras saem escassas
Pontiagudas feito lâminas
A dor que se transparece nelas
Me alimenta e te engana
Recuo para o lado negro
Solitário e vazio
Me persegue feito sombra
Se perdendo no limbo
Não o deixo encontrar
Sua ganância por viver
Não lhe confronto, pois há tempo
O deixo se render
Minhas palavras lhe espetam
Feito adaga mística
Não passa de maldade
Sua alma será minha…
Escolha – Por Denny Guinevere
Postado por Denny Guinevere em 4 de setembro de 2011

— Será que ela vem?
Carlos tinha a expressão aflita, olhava com certo receio à sua volta. John o ignorava enquanto sorvia de mais um gole da sua tão esperada caipirinha. Fazia um mês desde que ambos haviam ido à boate gótica, de principio Carlos se mostrou tímido com as meninas e preferiu ficar em um canto olhando John se divertir entre as meninas que agitavam já bêbadas.
— Talvez cara. Não se deixe levar por causa dela, nossa intenção é curtir, não? Então vamos aproveitar o ambiente, a bebida e as gatas!
— Eu preciso vê-la novamente…
— Se for começar com graça, acho que seria melhor ir embora cara!
Carlos tragou um gole de seu drink e disfarçou olhando a banda que passava o som antes de tocar. Nenhuma daquelas meninas o atraia mesmo vendo tantas moças bonitas com um copo na mão, de fácil acesso aos homens que se interessassem por elas.
Fernanda não era como elas… Havia misticismo e mágica no andar e no sorriso doce da moça que impressionara Carlos. Quando Fernanda entrou no salão todos os presentes se viraram para ela, e com um sorriso malicioso e com o andar elegante ela havia se misturado no salão com mais de trezentas pessoas.
Sua admiração foi tamanha, que Carlos a procurou em todos os cantos até encontrá-la sozinha no canto observando as pessoas agitarem o som. Ele se aproximou e antes que proferisse qualquer palavra ela sutilmente lhe disse:
— Eu sabia que viria. Quer agitar comigo, Carlos?
Ele nem se deu ao trabalho de questionar o fato dela já saber seu nome, a pegou pela mão e juntos foram ao centro do salão agitando ao som de sisters of mercy, sua banda favorita. As mãos da moça tocavam a sua enquanto seu corpo se agitava no mesmo ritmo das batidas do som, e o coração de Carlos seguia a sintonia. Era maravilhoso estar nos braços da moça mais encantadora e mística. E um beijo selou a noite sombria.
— Carlos? Qual foi cara? Dormiu foi?
John o segurava atônito, seu amigo havia se perdido em lembranças, sonhos. O que ela havia despertado em sua alma era forte demais…
— Acho que vou indo John – disse o amigo. Não suportaria ficar ali sem qualquer noticias de sua doce menina.
— Vai lá…
John já havia virado as costas quando a entrada se abriu e Fernanda passou por ela. Dois rapazes seguravam cordialmente a porta numa reverência extinta de cavalheirismo no século moderno.
O coração de Carlos pulou dentro do peito se agitando freneticamente. Ela era sem dúvida alguma, a moça mais bela. Novamente todos os presentes contemplaram seu sorriso marcante e seu olhar feiticeiro. E mais uma vez ela se perdeu entre a multidão que se formava para ver a apresentação da banda que se iniciara.
Carlos saiu em seu encalço perdendo-a de vista. Desceu as escadas que levavam para outra pista procurando. Ela não poderia fazer o mesmo! Como poderia deixá-lo na aflição? Sem muita esperança ele voltou ao lugar onde se viram pela primeira vez, num lugarzinho escuro e solitário e lá fechou os olhos. Ela iria aparecer! Ele sabia!
— Carlos? – A voz feminina que ousava chamar seu nome era tão doce que despertava todos os sentidos de uma única vez. Ele abriu os olhos e lá estava ela, radiante. Fernanda. A moça de seus sonhos…
— Como você sab…
Ela tocou com um dedo nos lábios dele e o puxou para o centro. Beijou-lhe a boca sedenta com uma paixão que ele desconhecia.
— Tem certeza? – ela perguntou ao pé de seu ouvido.
— Eu faria qualquer coisa para ter você novamente Fernanda.
— Então fez sua escolha… – Fernanda sussurrou para si mesma.
Ela sorriu e o puxou em direção a saída. John que observava os dois desde o início com certo pesar, nem imaginava que seria a última vez que veria seu amigo…
Covardia – Por Denny Guinevere
Postado por Denny Guinevere em 29 de agosto de 2011
Em sua boca sedenta
Minha língua percorria
Grandes feitos ante desejos
Minha alma sucumbia
Em teus pés me arremesso
Sem qualquer calmaria
Se por ti enlouqueço
É por pura feitiçaria
Eu acordo e agora vejo
Que não passa de zombaria
Se mantém distante, alheio
Devido a sua completa covardia…
Noite Fria – Por Denny Guinevere
Postado por Denny Guinevere em 14 de agosto de 2011

Tuas mãos percorrem meu corpo
Saciando um desejo tão antigo
Rendo-me a tua aparição
Deliciando-me com a ilusão
Deixo suas presas rasgar a carne
Embrenhando-se em minhas vísceras
Sorvendo o licor rubro
Que tanto lhe enfeitiça
Permito sua entrada em meu quarto
Na calada da noite fria
Toda noite vem me visitar
E em meu ventre se edifica
Vejo-te preso a minha carne enrubescida
E não nego minha sina
Se for pra me entregar e morrer
Que eu não acorde pra ver
Nesta noite tão fria…
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